terça-feira, 1 de maio de 2007

seu manual de instruções



Eu não vou te dar meu manual de instruções. Eu não quero perder meu mistério. Eu não quero ser um livro aberto. Eu não vou deixar você ter certeza sobre mim. Eu não vou me abandonar. Eu me prometi. Eu sou minha melhor amiga, eu me conheço. Eu não posso me trair. Só eu sei quem eu sou, ninguém jamais saberás exatamente. Na verdade, acho que nem eu nunca saberei. Mas terei noção através das minhas atitudes e pensamentos. Eu sou eu. Eu vivo comigo 24 horas. Eu acordo comigo, almoço comigo, danço comigo, converso comigo, discordo comigo, rio comigo, brigo comigo, durmo comigo. Eu sei de todos meus defeitos, e até mesmo de algumas qualidades. Admito que sou bastante teimosa, ciumenta, etc³, mas trabalho contra isso, e admito também que sou generosa, não curto ver tristeza nas pessoas e tento ajudá-las. Uma vez li, que cada um sabe a delícia e a dor de ser o que é, e concordo plenamente. Você sabe seus defeitos, por mais que não admita. Mas aposto que é fácil admitir as qualidade, não é mesmo? Eu não vou dar meu eu pra ninguém. Posso emprestar, mas dar nunca. Eu sou minha. Se eu der meu eu pra alguém, eu ficarei com falta dele, vai que ele muda! Jamais! Isso não... Se eu mudar, foi porque eu decidi que era melhor pra mim, e não porquê alguém decidiu por mim. Logo eu sou eu, minha, sou minha mulher, minha irmã, minha amiga, minha alma. Quer? Eu empresto. Mas não estou à venda. Eu já tenho dono. Eu. E eu não me vendo! Não venda seu manual de instruções, fique com o seu eu eternamente. Se as pessoas gostarem elas ficarão junto a ti. Só não deixe se elas apossarem do seu eu, e quererem mudar para ficar igual ao eu delas... Não deixe ninguém ler seu manual de instruções! Deixe os outros descubrirem quem você é por eles mesmos, nada de abrir o jogo assim. Enquanto isso, curta seu eu, que é seu segredo, porque ninguém realmente o conhece, além de você. E vamos cair na real, é muito bom tentar saber o manual de instruções das pessoas né? Descubrir o desconhecido sempre foi um prazer... Pedro álvares Cabral concordaria comigo definivamente!

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